Dilma e a derrota que nasceu de uma vitória

Abril 18, 2016 Sem comentários »
Tucano Bruno Araújo, responsável pelo voto 342, foi carregado nos braços por outros parlamentares

Tucano Bruno Araújo, responsável pelo voto 342, foi carregado nos braços por outros parlamentares

A queda da presidente Dilma Rousseff (PT) não começou ontem, quando a admissibilidade do processo de impeachment foi aprovada por 367 deputados, 25 a mais que o mínimo necessário. A dura derrota, que ameaça um projeto de poder iniciado em 2003, foi germinada dentro de uma vitória. Em outubro de 2014, Dilma era reeleita para o comando do Palácio do Planalto às custas de estouros no Orçamento – de onde surgiram as famosas “pedaladas” -, controle artificial da inflação e uma propaganda eleitoral que, diante da realidade já conhecida pelo Governo, dificilmente poderia ser concretizada.

Afinal, como ela própria antecipou ainda em 2013, “podemos fazer o diabo na hora da eleição”. Assim o fez e, logo após o resultado das urnas, se viu obrigada a implementar tudo aquilo que condenara na campanha: aumento no preço da gasolina, reajuste da tarifa de energia elétrica, corte nos direitos trabalhistas e revisão dos incentivos fiscais que ainda davam certo fôlego ao setor empresarial. Os erros do passado exigiriam de qualquer gestor implementar esse ajuste. Faltava à mandatária, contudo, legitimidade política. Um “estelionato eleitoral” que lhe custaria um bom pedaço de sua popularidade.

Ao mesmo tempo, a crise econômica só se aprofundava e Eduardo Cunha era eleito presidente da Câmara dos Deputados, comprometendo as relações entre Executivo e Legislativo. Uma batalha nada silenciosa entre os dois poderes era deflagrada, com pautas-bomba a ameaçar a estabilidade do País e minar a capacidade de governar da presidente. Pontes de diálogo eram destruídas a cada troca de críticas, e reformas essenciais para a reestruturação das contas públicas impossíveis de serem aprovadas.

Não demorou muito para a população levar toda sua insatisfação às ruas, que logo foi transformada em coro pela saída da presidente. Com as revelações da Operação Lava Jato chegando cada vez mais próximas da presidente, perdia-se qualquer margem de manobra. A gestão ficava cada vez mais acuada, e a oposição enxergou oportunidade única de abreviar o mandato da petista. As consequências, sem dúvidas tramáticas para o País, poderão ser conferidas nas próximas páginas. É o preço alto cobrado de quem agiu antes sem medir consequências políticas.

O Povo

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