Camilo Santana muda discurso e agora diz que ‘vai pra cima’ das facções criminosas nos presídios

Março 17, 2016 Sem comentários »

Depois de inutilmente negar a presença de facções criminosas no Ceará, o governador do Estado, Camilo Santana (PT), se viu obrigado a mudar de discurso após uma onda de atentados em Fortaleza que atingiram delegacias e ônibus. Agora, o petista  admite que as organizações do crime estão aqui.  Mas, segundo ele, a ordem é para que as forças da Segurança Pública reajam à altura. “Nós vamos partir para cima deles”, esbravejou.

A declaração foi feita por Santana na manhã de ontem, quando compareceu à Assembleia Legislativa do Estado. Além de mudar o tom da conversa sobre as facções PCC (Primeiro Comando da Capital) e Comando Vermelho (CV), o governador reafirmou a posição de jogar para as operadoras de telefonia celular a “batata quente” de instalar bloqueadores nos presídios de todo o Ceará. “É obrigação delas, pois lucram muito aqui no Ceará”, disparou.

A atitude de Camilo veio cinco dias após a Assembleia aprovar um projeto de lei de autoria do Governo em que obriga as operadoras a bloquear o sinal de celulares nas unidades do Sistema Penal.  Contudo, tal lei corre sério risco de já ter nascido morta, isto é, não ter efeito algum, já que o Supremo Tribunal Federal  (STF) decidiu que a responsabilidade de tal tarefa é dos estados.

Transferir bandidos

“Temos um desafio enorme, porque os criminosos, de dentro dos presídios, estão comandando muitas ações. Ninguém sabe de onde, como eles (dcelulares) entram (nos presídios). Eu quero obrigar que essas empresas (operadoras de telefonia) façam o bloqueio porque elas lucram demais com isso. Estamos criando um grupo de trabalho para ver a dinâmica da implantação da lei”, concluiu.

Temendo que as facções reajam com mais atos de violência diante da ordem para bloquear o sinal de celular nas cadeias, Santana pediu ajuda ao Ministério da Justiça para transferir para outros Estados os membros do PCC que estão cumprindo pena nos presídios cearenses.

Por FERNANDO RIBEIRO

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